PRIMEIRA COLUNA. PATROCÍNIO JÁ PERTENCEU A GOIÁS

TRIAPO Sertão da Farinha Podre estava localizado nos limites dos rios Quebra Anzol, das Velhas, Grande e Paranaíba. A região pertencia geograficamente a São Paulo, depois a Goiás. O domínio de Minas Gerais ocorreu somente em 1816.

 

Território. Por ser um dos 32 municípios mais antigos de Minas, Patrocínio já teve o seu com vasta dimensão. À época da emancipação (1842), o Município contava com terras de Araguari a Patos de Minas. Mas, antes disso, muitos fatos interessantes aconteceram. Em um deles, esse chão, onde seria o futuro município patrocinense, passou a integrar a outra capitania (posteriormente, província, depois estado). Na verdade, permaneceu como território goiano por mais de meio século.

 

1760 – O COMEÇO – Padre Félix José Soares, português, foragido da capital Mariana (primeira capital de Minas Gerais), chegou a Desemboque (hoje, município de Sacramento), que tornou-se a 2ª Comarca de Minas. Pouco depois, com petição assinada por diversas pessoas da região, dirigiu-se à Vila Boa de Goiás, quando pediu a anexação dos Sertões da Farinha Podre (Triângulo e Alto Paranaíba) à Capitania de Goiás. Obteve êxito. Ele alegou que em Goiás não tinha a cobrança do Quinto (mas era em gado).

 

1816 – O RETORNO – No dia 4 de abril, por meio de alvará do Rei D. João VI, a região volta a pertencer à Capitania de Minas Gerais. A Comarca de Paracatu (sede da Ouvidoria), criada em 1815, possuía a jurisdição dos julgados de Desemboque e São Domingos do Araxá. Ou seja, esses futuros municípios, Araxá e Sacramento, faziam parte de Paracatu. Portanto, até então, Patrocínio também pertencia a Paracatu. Somente, a partir de 1833, com a emancipação de Araxá, passou a fazer parte do município araxaense, por nove anos apenas.

 

O MAIS PROVÁVEL – D. Beja teve atuação decisiva nesse retorno do futuro Triângulo (Farinha Podre) para Minas. Anos antes, ela foi raptada pelo Ouvidor Joaquim Inácio da Mata, quando de uma de suas visitas a Araxá. Jovem, bonita, inteligente, Ana Jacinta teria encantado o Ouvidor. Assim, depois, ela morou com ele, por algum tempo, em Paracatu.

 

PODER FEMININO – Ana Jacinta, a D. Beja, tinha enorme influência sobre o Ouvidor. Com isso, teria lhe solicitado que promovesse a volta a região para Minas, junto à Corte Imperial. Com a morte da rainha D. Maria, a Louca, Inácio da Mata resolveu deixar a Ouvidoria e retornar à Corte no Rio de Janeiro. Nessa viagem, D. Beja teria o acompanhado até Patrocínio, onde se separaram de vez. Ele, pela estrada Picada de Goiás, rumo ao Rio, via Pitangui. Ela, para Araxá. Essa é a versão mais aceita sobre a ida da região Farinha Podre para Goiás. E a sua volta à Capitania de Minas.


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